A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou na última sexta-feira (22) dados alarmantes sobre a incidência de dengue no Brasil, posicionando o país como líder mundial em casos da doença em 2023. Ao longo do ano, foram registrados 2,9 milhões de casos, marcando um aumento recorde na América do Sul.
Os números revelam uma tendência preocupante, com os casos de dengue na região sul-americana saltando de 1,5 milhão entre 1980 e 1989 para 17,5 milhões entre 2010 e 2019. A OMS classifica o cenário como de risco elevado globalmente, destacando o crescente perigo de transmissão e o aumento significativo de casos e mortes.
“Desde o início de 2023, a transmissão contínua, aliada a um aumento inesperado nos casos de dengue, resultou em um recorde histórico de mais de cinco milhões de casos e cinco mil mortes relacionadas à dengue em mais de 80 países/territórios e cinco regiões da OMS”, alerta a organização.
O levantamento ainda revela casos autóctones, originários das próprias regiões, em diversos países desde 2010, incluindo Croácia, França, Israel, Itália, Portugal e Espanha.
Entre os principais fatores contribuintes para os números alarmantes, destacam-se o aumento das temperaturas decorrente de fenômenos climáticos e a fragilidade dos sistemas de saúde após a pandemia de Covid-19. A infectologista Joana D’Arc ressalta a importância de uma vigilância contínua para evitar a proliferação do mosquito transmissor, Aedes aegypti, responsável também pela Zika e Chikungunya.
Para prevenção, é crucial eliminar locais de acúmulo de água parada, utilizar repelentes e instalar telas em portas e janelas para proteção contra as picadas do mosquito.
Vacinação Contra a Dengue: Novo Recurso no SUS
Na quinta-feira (21), o Ministério da Saúde incorporou a vacina contra a dengue no Sistema Único de Saúde (SUS), tornando o Brasil o primeiro país a oferecer o imunizante no sistema público. A fabricante estima entregar mais de 5 milhões de doses entre fevereiro e novembro de 2024, com um esquema vacinal de duas doses.
A aplicação inicial se concentrará em regiões com maior incidência de casos, com estratégias detalhadas a serem definidas nas primeiras semanas do próximo ano. A medida representa um avanço significativo na luta contra a dengue, oferecendo uma nova ferramenta para conter a disseminação da doença.

